CDB a 110% do CDI vs. Tesouro Selic: como comparar
Saiba como comparar um CDB a 110% do CDI com o Tesouro Selic considerando rentabilidade, segurança e liquidez
Um CDB que paga 110% do CDI costuma atrair a atenção de quem busca alternativas à caderneta de poupança ou aos títulos públicos mais tradicionais. No entanto, decidir onde aplicar o dinheiro exige olhar além da porcentagem destacada na tela da corretora. A rentabilidade anunciada é apenas o ponto de partida de uma análise que envolve tributos, custos operacionais, prazos, liquidez e a segurança de cada emissor.
O que significa 110% do CDI?
Um Certificado de Depósito Bancário (CDB) atrelado a um percentual do CDI não rende uma taxa fixa pré-determinada, mas sim uma fração variável atrelada ao comportamento do mercado interbancário. O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa média das operações diárias entre os bancos.
Quando um título oferece 110% do CDI, o cálculo da rentabilidade bruta segue a lógica:
Taxa Bruta = CDI × 1,10
Se o CDI hipotético de referência estivesse em 10% ao ano, o rendimento bruto do CDB seria de aproximadamente 11% ao ano. O acréscimo de 10% refere-se a uma proporção sobre o próprio indicador, e não a uma taxa fixa somada linearmente.
O que é o Tesouro Selic?
O Tesouro Selic é um título público federal emitido pelo Tesouro Nacional por meio da plataforma do Tesouro Direto. Sua rentabilidade acompanha a variação da taxa básica de juros da economia, a Selic, podendo conter um pequeno prêmio (taxa adicional) contratado no momento da aquisição.
A rentabilidade efetiva obtida pelo investidor depende do preço do título no momento da negociação, do prazo em que o recurso permanece aplicado, das regras de recompra antecipada e dos custos aplicáveis.
CDI e Selic são a mesma coisa?
Embora caminhem lado a lado, o CDI e a Selic não representam exatamente o mesmo índice. A taxa Selic over é a taxa oficial da economia, definida pelo Banco Central nas reuniões do Copom. Já o CDI reflete o custo real dos empréstimos de curto prazo entre as instituições financeiras privadas.
Na prática, o CDI costuma negociar muito próximo à Selic — geralmente ligeiramente abaixo ou em paridade estrita —, mas pequenas variações entre os dos indicadores podem ocorrer ao longo do tempo. Tratar ambos como sinônimos perfeitos pode introduzir distorções em projeções de longo prazo.
A primeira comparação: rentabilidade bruta

Ao colocar os dois investimentos lado a lado, a diferença inicial está na forma como o rendimento é expresso. O CDB 110% do CDI oferece um percentual sobre uma taxa privada, enquanto o Tesouro Selic remunera com base na taxa oficial da economia.
Olhar exclusivamente para o “110%” pode induzir a uma interpretação equivocada de que o ganho será sempre de 10% acima de qualquer outro título. Como a base de cálculo depende da flutuação do CDI, o retorno bruto oscila conforme o cenário macroeconômico.
Rentabilidade líquida: o ponto mais importante
A decisão de investimento não deve se basear apenas no resultado bruto. O que realmente importa para o patrimônio do investidor é o montante que permanece na conta após a dedução de todas as obrigações financeiras.
Rentabilidade Líquida = Rendimento Bruto − Impostos − Custos
Pequenas vantagens na taxa bruta de um CDB podem ser atenuadas ou anuladas caso existam taxas operacionais ou alíquotas de tributação desfavoráveis decorrentes do prazo de resgate.
Imposto de Renda
Tanto o Tesouro Selic quanto os CDBs seguem a tabela regressiva de Imposto de Renda para aplicações de renda fixa no Brasil. A alíquota diminui conforme o dinheiro permanece investido:
- Até 180 dias: 22,5% sobre o rendimento
- De 181 a 360 dias: 20% sobre o rendimento
- De 361 a 720 dias: 17,5% sobre o rendimento
- Acima de 720 dias: 15% sobre o rendimento
O imposto incide exclusivamente sobre o lucro gerado, e não sobre o capital total aplicado. Em uma simulação em que R$ 10.000 geram R$ 1.000 de rendimento bruto, a alíquota recolhida incide apenas sobre os R$ 1.000 de ganho no momento do resgate.
Taxa de custódia do Tesouro Selic
O Tesouro Direto prevê a isenção da taxa de custódia da B3 para investimentos no Tesouro Selic até o limite de R$ 10.000 por CPF. Para o montante que exceder esse patamar, incide uma taxa de custódia anual sobre o valor excedente, conforme as regras vigentes na plataforma.
Essa cobrança deve ser contabilizada no cálculo do rendimento líquido, especialmente para portfólios que superem a faixa de isenção estabelecida.
CDB possui taxa de custódia?
A maioria das corretoras e bancos não cobra taxa de custódia para manter CDBs em custódia na B3. No entanto, o investidor deve verificar se a instituição financeira escolhida cobra tarifas de manutenção de conta ou outras taxas operacionais que possam impactar o resultado final.
FGC: como ele entra na comparação?
Os CDBs emitidos por bancos e instituições financeiras elegíveis contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O mecanismo garante o ressarcimento de depósitos até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição financeira, respeitado o teto global previsto pelas normas do fundo.
O FGC funciona como uma rede de segurança contra a falência do emissor privado, mas não elimina o risco de mercado, não protege contra a inflação e não assegura rentabilidade.
Tesouro Selic tem FGC?
Os títulos públicos federais não possuem cobertura do FGC. A segurança do Tesouro Selic está respaldada diretamente pelo Tesouro Nacional, o que significa que o risco associado é o risco soberano do próprio Estado brasileiro.
Risco de crédito
No CDB, o investidor assume o risco de crédito da instituição emissora. Se o banco emissor enfrentar dificuldades financeiras severas e vier a quebrar, o recebimento do principal e dos juros dependerá do acionamento e dos prazos de atendimento do FGC, dentro dos limites estabelecidos.
No Tesouro Selic, o risco de crédito recai sobre o governo federal. A lógica de solvência difere da de uma instituição financeira privada, tornando a natureza do risco distinta entre os dois ativos.
Liquidez
A liquidez define a velocidade e a facilidade com que o ativo pode ser transformado em dinheiro sem perda significativa de valor.
Um CDB pode apresentar diferentes formatações: liquidez diária (permitindo resgates a qualquer momento), prazos de carência ou vencimento fixo sem possibilidade de resgate antecipado.
O Tesouro Selic possui liquidez diária por meio do sistema de recompra do Tesouro Direto. Contudo, o resgate antes do vencimento está sujeito às condições de mercado vigentes no momento da venda, o que pode gerar pequenas oscilações diárias no valor de mercado do título, embora a modalidade seja desenhada para mitigar esse efeito.
Prazo
O horizonte temporal da aplicação altera diretamente a eficiência de cada escolha. Um CDB de 110% do CDI pode exigir o bloqueio do capital até o vencimento. Se o investidor precisar do recurso antes do prazo e o título não oferecer liquidez diária, poderá enfrentar perdas ou impossibilidade de resgate.
O Tesouro Selic oferece flexibilidade de prazo, adaptando-se tanto a horizontes curtos quanto a planejamentos de médio prazo.
CDB 110% do CDI sem liquidez vs. Tesouro Selic
Quando o CDB de 110% do CDI exige a permanência do recurso até o vencimento — por exemplo, em prazos de dois anos sem resgate antecipado —, a comparação com o Tesouro Selic muda de figura.
O título privado pode entregar um retorno bruto superior ao término do período, mas retira a flexibilidade do investidor. Caso surja uma emergência ou uma oportunidade de alocação melhor, o capital permanece travado. O Tesouro Selic, por sua vez, permite o resgate a qualquer momento, oferecendo liquidez em troca de uma taxa de remuneração que pode ser inferior à do CDB travado.
CDB 110% do CDI com liquidez diária vs. Tesouro Selic

Em cenários em que o CDB de 110% do CDI oferece liquidez diária, a disputa de rentabilidade torna-se mais direta.
Considerando o mesmo montante investido, a mesma janela de tempo e regras tributárias idênticas, a decisão passa a ser decidida na margem. Se a rentabilidade líquida do CDB superar o Tesouro Selic após a dedução dos impostos e eventuais custos, o CDB ganha atratividade. Caso contrário, a segurança do Tesouro Nacional e a isenção de custódia até o limite estipulado podem pesar a favor do título público.
Quanto 110% do CDI precisa render para superar o Tesouro Selic?
Não existe um patamar fixo universal que garanta a superioridade do CDB. O ponto de equilíbrio depende do comportamento simultâneo da taxa Selic, do CDI, da alíquota de Imposto de Renda aplicável ao prazo, da existência de taxas de custódia e das características contratuais do CDB.
Matematicamente, o CDB supera o título público quando:
Retorno Líquido do CDB > Retorno Líquido do Tesouro Selic
Sempre que a taxa extra oferecida pelo banco privado for suficiente para compensar os custos e manter o ganho acima do título público após os impostos, o CDB apresenta vantagem financeira.
Como fazer a comparação correta
A avaliação estruturada entre os dois investimentos envolve uma sequência lógica de verificação:
- Defina o prazo: Estabeleça por quanto tempo o dinheiro ficará investido.
- Consulte a taxa do CDB: Identifique o percentual exato oferecido sobre o CDI.
- Verifique a taxa do Tesouro Selic: Confira a rentabilidade atual do título público.
- Calcule o rendimento bruto: Projete o ganho nominal antes de impostos.
- Estime o Imposto de Renda: Aplique a alíquota correspondente ao prazo do resgate.
- Desconte custos: Inclua eventuais tarifas operacionais ou taxas de custódia da B3.
- Avalie a liquidez: Confira se o resgate é diário ou se exige prazo fixo.
- Analise o risco e o FGC: Verifique a solidez da instituição emissora e os limites de cobertura.
- Compare o valor líquido final: Coloque os números na mesma base de comparação.
- Alinhe ao objetivo: Decida com base na finalidade do recurso.
Perguntas frequentes

CDB de 110% do CDI rende mais que Tesouro Selic?
Pode render mais no cenário bruto, mas o resultado líquido depende da incidência do Imposto de Renda, do prazo e de eventuais custos operacionais.
Quanto rende um CDB de 110% do CDI?
O rendimento varia de acordo com a oscilação diária do CDI. Multiplica-se a taxa do CDI vigente por 1,10 para encontrar a taxa bruta anual.
110% do CDI é melhor que 100% da Selic?
Em termos estritamente nominais e brutos, um percentual maior sobre um indicador equivalente tende a pagar mais, mas a comparação precisa considerar os custos e tributos.
CDB tem FGC?
Sim, desde que emitido por instituições financeiras elegíveis, respeitando o limite de R$ 250 mil por CPF/CNPJ por emissor.
Tesouro Selic tem FGC?
Não. A garantia é respaldada pelo Tesouro Nacional.
Qual tem mais liquidez?
Depende do CDB escolhido. Existem CDBs com liquidez diária e outros com prazos fechados. O Tesouro Selic possui liquidez diária garantida por meio do Tesouro Direto.
CDB de 110% do CDI serve para reserva de emergência?
Apenas se o produto específico contar com liquidez diária e resgate imediato sem carência.
Qual paga mais imposto?
Ambos seguem exatamente a mesma tabela regressiva de Imposto de Renda para a renda fixa.
A taxa de 110% do CDI é garantida para sempre?
Não. A taxa de 110% é o multiplicador contratado, mas o rendimento flutua conforme o CDI oscila ao longo do tempo.
Como calcular o rendimento líquido?
Subtrai-se o Imposto de Renda incidente sobre o lucro e eventuais taxas operacionais do montante bruto acumulado.
Olhando além da taxa anunciada
A escolha entre alocar recursos em um CDB a 110% do CDI ou no Tesouro Selic exige uma análise que ultrapassa a simples comparação de números em telas de investimento. Enquanto o título privado pode entregar um ganho bruto superior amparado pela proteção parcial do FGC, o título público oferece a solidez do emissor soberano e flexibilidade de resgate em condições padronizadas. O sucesso da aplicação depende de alinhar o prazo, a liquidez necessária e o perfil de risco aos objetivos financeiros traçados.




