CDI bruto e CDI líquido: qual é a diferença?
Entenda a diferença entre CDI bruto e líquido e como os impostos afetam o rendimento dos investimentos
O que é CDI?

O CDI — sigla para Certificado de Depósito Interbancário — representa as taxas dos empréstimos de curto prazo realizados entre as instituições financeiras. No Brasil, os bancos fecham o dia com saldos positivos ou negativos em suas contas de reservas no Banco Central. Para equilibrar o caixa e cumprir as exigências operacionais, as entidades financeiras que fecham no azul emprestam recursos para aquelas que fecham no vermelho, utilizando os CDs como instrumentos dessa operação.
A taxa média dessas transações diárias gera o indicador conhecido como taxa DI, amplamente referenciado como CDI. É fundamental diferenciar essa taxa de referência da taxa Selic. Enquanto a Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), o CDI opera ligeiramente abaixo dela, acompanhando de perto os seus movimentos e ajustes periódicos. Os investimentos em renda fixa utilizam o CDI como principal balizador porque ele reflete o custo do dinheiro no mercado interbancário, servindo de parâmetro de rentabilidade para produtos como CDBs, LCIs, LCAs e fundos de renda fixa.
O que significa “100% do CDI”?
Dizer que um ativo rende um percentual do CDI significa que a sua rentabilidade é atrelada ao desempenho desse indicador de referência, e não a uma taxa fixa prefixada em reais. O percentual indica uma proporção matemática em relação à taxa DI oficial vigente. Com base nos dados de referência de setembro de 2026, a taxa CDI anual encontra-se em 13,65% ao ano. A partir desse patamar, compreende-se o comportamento de diferentes percentuais:
- 100% do CDI: A aplicação acompanha integralmente a taxa de referência. Considerando o CDI de 13,65% ao ano, o rendimento bruto teórico anual equivale exatamente a 13,65%.
- 90% do CDI: O investimento rende nove décimos da taxa de referência. Com o CDI a 13,65% a.a., a rentabilidade bruta proporcional atinge 12,285% ao ano.
- 110% do CDI: O ativo supera a taxa de referência em 10%. Sob o CDI de 13,65% a.a., o rendimento bruto corresponde a 15,015% ao ano.
- 120% do CDI: O produto oferece um acréscimo de 20% sobre o patamar do CDI, resultando, com a taxa atual de 13,65% a.a., em uma rentabilidade bruta de 16,38% ao ano.
Esses percentuais demonstram que a rentabilidade varia de acordo com as oscilações da economia. Caso o Copom altere a meta de juros e o CDI suba ou caia, o rendimento das aplicações atreladas a ele acompanhará a mesma trajetória.
O que é CDI bruto?
O rendimento bruto corresponde ao montante gerado por uma aplicação financeira antes da dedução de qualquer tributo ou tarifa operacional. Trata-se do valor matemático obtido pela multiplicação do capital investido pela taxa percentual do CDI correspondente ao período.
Para ilustrar esse cálculo, considere uma aplicação inicial de R$ 10.000 em um título que rende 100% do CDI, mantido pelo prazo de um ano (252 dias úteis), utilizando a taxa CDI constante de 13,65% ao ano estipulada para fins didáticos. Ao final de doze meses, o cálculo do rendimento bruto é obtido da seguinte forma:
- Capital Inicial: R$ 10.000,00
- Taxa Bruta Anual (100% de 13,65%): 13,65%
- Rendimento Bruto: R$ 1.365,00
- Saldo Bruto Total: R$ 11.365,00
O que é CDI líquido?
O termo “CDI líquido” não se refere a uma nova taxa oficial divulgada pelo mercado, mas sim a uma métrica analítica que indica o ganho efetivo remanescente para o investidor após a retenção de impostos e eventuais custos operacionais. A trajetória que transforma a referência teórica no valor final recebido obedece a uma sequência lógica: taxa de referência do mercado seguida pelo cálculo do rendimento bruto, incidência dos impostos aplicáveis, dedução de custos quando existentes, e apuração final do rendimento líquido.
Como o Imposto de Renda afeta o rendimento
A maioria das aplicações de renda fixa tributáveis no Brasil, como os CDBs e os fundos de investimentos tradicionais, submete-se à tabela regressiva do Imposto de Renda. As alíquotas decrescem conforme o tempo em que o recurso permanece investido, incentivando a permanência do capital no longo prazo. As regras vigentes determinam as seguintes faixas:
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR sobre o rendimento |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| 181 a 360 dias | 20,0% |
| 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15,0% |
O imposto incide exclusivamente sobre o lucro gerado (rendimento bruto), e não sobre o montante total aportado pelo investidor.
IOF em investimentos de renda fixa
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) incide sobre os resgates de aplicações de renda fixa realizados em prazos inferiores a 30 dias. A tabela de regressão do IOF começa com alíquota de 96% no primeiro dia e reduz-se diariamente até zerar no trigésimo dia. Assim como o Imposto de Renda, o IOF recai estritamente sobre o valor do rendimento obtido no período, e não sobre o principal investido.
CDI bruto x CDI líquido na prática
Para visualizar o impacto dos tributos ao longo do tempo, considere uma simulação com um aporte inicial de R$ 10.000 aplicados a uma taxa constante de 100% do CDI (13,65% a.a.), avaliada em diferentes horizontes temporais:
- 30 dias: O rendimento bruto estimado atinge aproximadamente R$ 107,37. Incide IOF de 96% sobre o ganho (remanescente líquido mínimo) e alíquota de IR de 22,5% sobre o saldo remanescente, resultando em um ganho líquido reduzido e um saldo final aproximado de R$ 10.083,22.
- 6 meses (180 dias): O rendimento bruto acumulado chega a aproximadamente R$ 656,87. Como o prazo ultrapassa 30 dias, o IOF é isento. Incide o Imposto de Renda à alíquota de 22,5%, retendo R$ 147,80. O rendimento líquido é de R$ 509,07, elevando o saldo final para R$ 10.509,07.
- 1 ano (360 dias): O rendimento bruto é de R$ 1.365,00. O prazo enquadra-se na alíquota de IR de 20,0%, gerando um imposto de R$ 273,00. O rendimento líquido consolidado é de R$ 1.092,00, formando um saldo final de R$ 11.092,00.
- 2 anos (720 dias): O rendimento bruto atinge R$ 2.921,42. O prazo posiciona a alíquota de IR em 17,5%, resultando em tributação de R$ 511,25. O rendimento líquido fica em R$ 2.410,17, totalizando um saldo final de R$ 12.410,17.
Compare investimentos com diferentes percentuais do CDI

A análise comparativa entre ativos que oferecem diferentes percentuais do CDI demonstra que o maior índice bruto nem sempre assegura a maior rentabilidade líquida final. Fatores como a tributação, a presença de custos operacionais, o prazo de resgate e a solidez da instituição emissora alteram substancialmente o resultado econômico da aplicação.
CDB, LCI, LCA e fundos
A comparação entre diferentes produtos financeiros exige atenção ao tratamento tributário. Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e os fundos de renda fixa tradicionais sujeitam-se integralmente à tabela regressiva do Imposto de Renda. Em contrapartida, as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) contam com isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, amparadas pela legislação vigente. No entanto, a isenção de tributos não transforma automaticamente um produto isento na melhor opção de mercado, pois emissores podem remunerar títulos isentos com percentuais do CDI inferiores aos oferecidos por CDBs equivalentes.
100% do CDI pode render mais que 110% do CDI?
Determinadas situações de mercado permitem que um investimento com menor percentual nominal do CDI supere outro com percentual superior devido à carga tributária e às características do produto. Considere, por exemplo, um cenário hipotético em que um CDB tributado pague 110% do CDI, enquanto uma LCI isenta pague 90% do CDI.
Para um prazo inferior a 180 dias, o CDB sofre a incidência da alíquota máxima de IR de 22,5%, reduzindo seu ganho bruto de forma expressiva. Caso o ganho líquido resultante do CDB fique abaixo do rendimento integral proporcionado pela LCI de 90% do CDI — que é totalmente isenta de tributos —, a LCI apresentará um resultado líquido superior, evidenciando que a análise não deve se basear exclusivamente no percentual bruto divulgado.
Como calcular a rentabilidade líquida
O cálculo correto da rentabilidade líquida de um investimento obedece a etapas metódicas: parte-se do rendimento bruto apurado com base na taxa percentual do CDI, deduzem-se os impostos aplicáveis (como o IR e o IOF) e subtraem-se eventuais tarifas administrativas ou taxas de custódia cobradas pela instituição. O cômputo exato depende do produto selecionado, do prazo de permanência, do regime de capitalização e das condições contratuais da aplicação, evitando o uso de fórmulas simplificadas que desconsiderem a capitalização composta diária.
CDI líquido é igual a rentabilidade real?
O rendimento líquido não se confunde com o rendimento real. Enquanto o rendimento líquido representa o montante financeiro remanescente após o pagamento de impostos e taxas, o rendimento real desconta o impacto da inflação oficial do período (medida pelo IPCA). É perfeitamente possível que uma aplicação exiba um rendimento líquido positivo e, ainda assim, apresente ganho real negativo ou neutro caso a inflação supere o avanço percentual do saldo acumulado, reduzindo o poder de compra do capital.
| Investimento | % do CDI | Tributação | Rendimento bruto | Rendimento líquido |
|---|---|---|---|---|
| Produto A | 90% | Tributado (Tabela Regressiva) | R$ 1.228,50 | R$ 982,80 |
| Produto B | 100% | Tributado (Tabela Regressiva) | R$ 1.365,00 | R$ 1.092,00 |
| Produto C | 110% | Tributado (Tabela Regressiva) | R$ 1.501,50 | R$ 1.201,20 |
| Produto D | 120% | Tributado (Tabela Regressiva) | R$ 1.638,00 | R$ 1.310,40 |
Exemplo completo de comparação
Imagine um investidor que dispõe de R$ 20.000 e avalia três alternativas distintas para uma aplicação com horizonte de 1 ano (360 dias), considerando a taxa CDI constante de 13,65% ao ano:
- Opção 1 (CDB a 100% do CDI): Rendimento bruto de R$ 2.730,00. Aplicando a alíquota de IR de 20,0% para o prazo de 360 dias, o imposto retido totaliza R$ 546,00. O rendimento líquido alcança R$ 2.184,00, resultando em um saldo final de R$ 22.184,00.
- Opção 2 (CDB a 110% do CDI): Rendimento bruto de R$ 3.003,00. Com a incidência da alíquota de IR de 20,0%, o imposto devido é de R$ 600,60. O rendimento líquido correspondente atinge R$ 2.402,40, elevando o saldo final para R$ 22.402,40.
- Opção 3 (LCI a 90% do CDI): O rendimento bruto obtido é de R$ 2.457,00. Por se tratar de uma LCI emitida com isenção de Imposto de Renda para pessoa física, o valor do rendimento bruto equivale integralmente ao rendimento líquido. O saldo final consolidado atinge R$ 22.457,00.
Essa simulação evidencia que o percentual nominal do CDI isoladamente não basta para definir a melhor alternativa. Embora a Opção 2 ofereça um percentual superior ao da Opção 1, a Opção 3 — apesar de ostentar um percentual menor do CDI (90%) — superou o CDB de 100% em razão do benefício da isenção tributária no horizonte de um ano.
Perguntas frequentes
O que é CDI bruto?
É o rendimento gerado por uma aplicação financeira calculado de forma integral, antes da dedução do Imposto de Renda, do IOF ou de quaisquer tarifas operacionais cobradas pela instituição financeira.
O que é CDI líquido?
É o indicador do ganho efetivo que sobra para o investidor após a retenção de todas as obrigações tributárias e custos aplicáveis sobre o capital investido.
Como calcular o CDI líquido?
O cálculo consiste em apurar o rendimento bruto com base no percentual do CDI contratado, descontar a alíquota de Imposto de Renda correspondente ao prazo de resgate, subtrair o IOF (se o resgate ocorrer em menos de 30 dias) e abater eventuais taxas administrativas.
Quanto rende 100% do CDI depois do IR?
O valor líquido depende do prazo de permanência do recurso. Com o CDI balizado em 13,65% ao ano, um rendimento bruto de 100% do CDI em um prazo de um ano sofre retenção de 20% de IR, entregando um rendimento líquido proporcional de 10,92% ao ano.
100% do CDI ou 110% do CDI: qual rende mais líquido?
Em regra, um título a 110% do CDI tende a render mais do que um a 100% do CDI quando comparados produtos da mesma categoria e com o mesmo prazo e tributação. Contudo, se o título de menor taxa contar com isenção fiscal (como uma LCI) e o de maior taxa for fortemente tributado em prazos curtos, o cenário pode se inverter.
LCI e LCA pagam imposto sobre o rendimento?
Não para pessoas físicas. As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) contam com isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos gerados, conforme a legislação tributária brasileira vigente.
O IOF reduz o rendimento do CDI?
Sim, mas apenas nos resgates efetuados nos primeiros 30 dias da aplicação. Após esse período, a alíquota de IOF torna-se zero e deixa de impactar o rendimento.
CDI líquido é a mesma coisa que rendimento real?
Não. O CDI líquido reflete o ganho financeiro livre de impostos, enquanto o rendimento real desconta a inflação do período, medindo o aumento efetivo no poder de compra do investidor.





