Quanto as marcas gastam em publicidade durante a Copa
Descubra quanto empresas e patrocinadores gastam para anunciar durante a maior competição de futebol do planeta
Quanto é Investido em Publicidade na Copa?

Foto : Angela Weiss / AFP / CP
Estudos de mercado indicam que os investimentos publicitários globais diretamente relacionados à Copa do Mundo de 2026 devem atingir aproximadamente US$ 10,5 bilhões (superando os R$ 50 bilhões em conversão direta). Esse número abrange desde cotas de patrocínio oficial da FIFA até a compra de mídia em redes sociais, anúncios de televisão regional, ativações no varejo e investimento em campanhas de marketing de oportunidade em escala global.
Investimento Publicitário Global Estimado por Edição da Copa do Mundo:
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2014 (Brasil) : ██████████ (US$ 4,8 bilhões)
2018 (Rússia) : █████████████ (US$ 6,2 bilhões)
2022 (Catar) : ████████████████ (US$ 7,5 bilhões)
2026 (EUA/CA/MX): ██████████████████████ (US$ 10,5 bilhões)
O crescimento exponencial em relação às edições anteriores (como o Catar em 2022 e a Rússia em 2018) reflete três fatores estruturais decisivos:
- Aumento no número de seleções e jogos: Com a expansão para 48 seleções e 104 partidas, a quantidade de minutos transmitidos e de espaços publicitários disponíveis multiplicou-se significativamente.
- Geografia estratégica: A realização da Copa na América do Norte (Estados Unidos, Canadá e México) posiciona o torneio no maior mercado consumidor do planeta, onde os custos por mil impressões (CPM) de mídia são tradicionalmente os mais elevados do mundo.
- Consumo híbrido de mídia: O público atual consome o torneio de forma simultânea via televisão aberta/fechada e por telas secundárias (second screens), gerando novas oportunidades de monetização digital.
Onde as Marcas Gastam Esse Dinheiro?
Para impactar uma audiência fragmentada, os anunciantes diversificam seus orçamentos entre diferentes canais e formatos de comunicação.
Comerciais de Televisão
A televisão linear continua sendo o pilar de alcance em massa durante a Copa do Mundo. A compra de espaço comercial durante as transmissões ao vivo consome a maior parcela das verbas publicitárias. Em mercados centrais como Brasil, Estados Unidos e Europa, a cota master de patrocínio nas emissoras detentoras dos direitos de transmissão atinge rotineiramente a marca de centenas de milhões de reais por anunciante.
Publicidade em Plataformas de Streaming
Com a migração de parte do público para serviços OTT (Over-The-Top) e plataformas digitais com direitos de transmissão, os anúncios em vídeo sob demanda e em transmissões online tornaram-se indispensáveis. Esse formato permite segmentar a audiência por faixa etária, localização e comportamento de consumo com maior precisão do que a TV aberta.
Redes Sociais e Influenciadores
O investimento em ecossistemas digitais como Instagram, TikTok, YouTube e X (antigo Twitter) cresceu exponencialmente. As marcas destinam verbas expressivas para contratar criadores de conteúdo, atletas e influenciadores digitais para comentar partidas, criar trends e humanizar a mensagem da empresa em tempo real.
Outdoor e Mídia Externa (OOH)
A mídia Out-of-Home (OOH)—que inclui outdoors digitais, painéis em aeroportos, estações de metrô, pontos de ônibus e fachadas de prédios—recebe aportes volumosos. Durante os meses do torneio, as cidades-sede e grandes capitais globais são transformadas em galerias a céu aberto das marcas patrocinadoras.
Marketing de Conteúdo e Campanhas Digitais
A produção de webséries, podcasts temáticos, filtros de realidade aumentada, jogos interativos e aplicativos voltados para o futebol exige investimentos elevados na fase de pré-produção. Esse conteúdo alimenta o interesse do consumidor ao longo dos meses que antecedem a competição.
Promoções no Varejo e Experiências do Consumidor
Uma fatia substancial da verba publicitária é direcionada ao ponto de venda (PDV). Promoções no estilo “compre e ganhe”, embalagens temáticas em edição limitada, sorteios de viagens para os jogos e instalações interativas em supermercados e shoppings transformam a atenção gerada na tela em conversão direta de vendas.
Patrocínio da FIFA é Diferente de Publicidade?
Uma das maiores dúvidas do público em geral diz respeito à estrutura de direitos comerciais da Copa do Mundo. Existe uma distinção técnica crucial entre patrocinar a entidade/torneio e comprar mídia publicitária nos veículos de comunicação.
Importante: Comprar espaço comercial na TV durante o intervalo do jogo de futebol não torna uma empresa patrocinadora oficial da FIFA. Apenas os patrocinadores oficiais têm o direito legal de utilizar as marcas registradas, o troféu e a mascote oficial da competição em suas peças publicitárias.
Níveis da Estrutura Comercial da FIFA
| Categoria | Descrição | Direitos Exclusivos | Exemplos Típicos |
|---|---|---|---|
| Parceiros Globais (FIFA Partners) | O nível mais alto de associação. Contratos de longo prazo que cobrem todos os eventos da entidade. | Uso global dos ativos da FIFA, presença de marca em todos os estádios e placas publicitárias. | Coca-Cola, Adidas, Visa, Hyundai/Kia. |
| Patrocinadores da Copa do Mundo | Empresas com direitos de associação focados exclusivamente no torneio masculino. | Direitos globais de marketing para a edição específica, cota de ingressos e placas no campo. | Budweiser, McDonald’s. |
| Apoiadores Regionais | Empresas que adquirem direitos limitados a um continente ou região geográfica específica. | Ativação direcionada apenas aos mercados de sua região geográfica contratada. | Bancos regionais, empresas de telecomunicação locais. |
| Anunciantes Independentes (Compra de Mídia) | Marcas que compram intervalos comerciais na TV, rádio, jornais ou mídias sociais. | Não podem usar a marca oficial da FIFA, devendo utilizar termos genéricos (ex: “Torcida pelo Brasil”). | Redes de varejo, marcas de alimentos, e-commerce. |
Quais Empresas Costumam Investir Mais?
Os setores que lideram os investimentos em campanhas publicitárias durante o torneio compartilham características comuns: alto volume de vendas, alcance de massa e forte apelo emocional associado ao entretenimento ou celebração.
| Setor Econômico | Principais Marcas Globais | Foco Estratégico do Investimento |
|---|---|---|
| Material Esportivo | Nike, Adidas, Puma | Lançamento de uniformes, chuteiras, tecnologia esportiva e associação com superastros. |
| Bebidas (Alcoólicas e Não Alcoólicas) | Coca-Cola, Pepsi, Budweiser, Heineken | Consumo de oportunidade, celebração em grupo, ações de trade marketing no varejo. |
| Tecnologia e Eletrônicos | Samsung, Apple, Google, Vivo/Telefónica | Demonstração de aparelhos de TV de última geração, conectividade e interatividade. |
| Setor Financeiro e Cartões | Visa, Mastercard, Itaú, Banco do Brasil | Promoções de cartão de crédito, programas de pontos, segurança e serviços digitais. |
| Automotivo | Hyundai, Kia, Toyota, Volkswagen | Lançamento de modelos, reforço de imagem de confiabilidade e inovação tecnológica. |
| Alimentação e Fast Food | McDonald’s, Lay’s, Burger King | Promoções de combos, produtos temáticos e consumo imediato durante os jogos. |
| Companhias Aéreas e Turismo | Qatar Airways, Emirates, Booking.com | Venda de passagens, pacotes turísticos para as cidades-sede e programas de fidelidade. |
Esses segmentos dominam os aportes financeiros porque a Copa do Mundo coincide com picos de consumo sazonal. O setor de bebidas e alimentação se beneficia das reuniões sociais; o de tecnologia aproveita o desejo do público de renovar televisores para assistir aos jogos; e o financeiro estimula a utilização de meios digitais de pagamento através de prêmios e sorteios.
Como as Empresas Medem o Retorno?
Investir dezenas de milhões de dólares em uma campanha publicitária exige métricas rigorosas de desempenho para comprovar o Retorno sobre o Investimento (ROI). As equipes de marketing utilizam indicadores-chave de desempenho (KPIs) divididos em duas grandes categorias: métricas de marca e métricas de vendas.
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│ Métricas de Impacto de Mídia │
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│ Qualitativas (Brand) │ │ Quantitativas (Vendas) │
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│ • Lembrança de Marca (Recall) │ │ • Aumento de Vendas (Sales Lift)│
│ • Sentimento nas Redes Sociais │ │ • Retorno Financeiro (ROI) │
│ • Intenção de Compra │ │ • Conversão no Ponto de Venda │
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- Alcance e Impressões: Mede o número total de pessoas únicas que visualizaram a campanha na TV, rádio, mídia impressa e digital.
- Reconhecimento de Marca (Brand Awareness): Pesquisas pré e pós-evento avaliam se o consumidor lembra da marca espontaneamente quando pensa no universo do futebol.
- Engajamento Digital: Avalia interações nas redes sociais (mencões, compartilhamentos, comentários, uso de hashtags da campanha e taxa de clique em anúncios).
- Volume Incremental de Vendas (Sales Lift): Compara as vendas do período da Copa do Mundo com períodos homólogos de anos anteriores sem o torneio para isolar o impacto da campanha.
- Retorno sobre Investimento (ROI / ROAS): Relação direta entre a receita financeira líquida gerada e o valor total alocado na produção, compra de mídia e licenças.
Quanto Pode Custar Uma Campanha Durante a Copa?

O custo final de uma operação publicitária de grande porte durante a Copa do Mundo é a soma de múltiplos fatores operacionais. Uma campanha global de grande escala facilmente ultrapassa a casa dos US$ 100 milhões.
Composição dos Custos de uma Campanha Global
- Compra de Mídia (TV, Digital, OOH): 60% (US$ 60M)
- Direitos de Imagem / Atletas: 20% (US$ 20M)
- Produção Filmes e Anúncios: 10% (US$ 10M)
- Ativações e Eventos Presenciais: 7% (US$ 7M)
- Gestão e Agências de Publicidade: 3% (US$ 3M)
- Produção dos comerciais: A criação de filmes publicitários de nível cinematográfico envolve diretores renomados, pós-produção avançada e efeitos visuais, custando entre US$ 2 milhões e US$ 10 milhões por comercial.
- Compra de Mídia: A inserção das peças nos veículos de comunicação representa a maior parte da verba (frequentemente 50% a 70% do orçamento total).
- Direitos de Imagem de Atletas: A contratação de astros globais do futebol para estrelar anúncios pode custar entre US$ 1 milhão e US$ 15 milhões por atleta, dependendo da sua expressão no esporte.
- Redes de Influenciadores: Planos de amplificação com dezenas de criadores de conteúdo digitais exigem aportes entre US$ 500 mil e US$ 5 milhões.
- Ativações Presenciais e Fan Fests: Construção de arenas temporárias, estandes interativos e festas para torcedores consomem verbas substanciais de marketing experiencial.
Os Comerciais Mais Caros e Marcantes da História da Copa
A concorrência acirrada pela atenção do público transformou a criação dos comerciais da Copa em um acontecimento cultural à parte. Algumas campanhas tornaram-se referências históricas do mercado publicitário:
Nike – “Write the Future” (2010)

Com investimento estimado em dezenas de milhões de dólares entre produção e veiculação, a Nike reuniu craques como Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney e Ronaldinho sob a direção do cineasta Alejandro González Iñárritu. O filme explorava como um único passe ou gol alteraria a vida dos jogadores e o destino de nações inteiras, tornando-se um marco de engajamento pré-redes sociais dominantes.
Beats by Dre – “The Game Before The Game” (2014)

Mesmo sem ser patrocinadora oficial da FIFA na Copa do Brasil, a marca de fones de ouvido Beats criou uma das campanhas mais lembradas da história do torneio. Focada nos rituais pré-jogo de atletas como Neymar Jr. e Serena Williams, a marca contornou as restrições de direitos de imagem focando no lado psicológico e emocional do esporte.
Pepsi – Campanhas Multiestreladas

Historicamente posicionada como desafiante das patrocinadoras oficiais, a Pepsi estabeleceu a tradição de criar filmes publicitários com múltiplos jogadores globais em ambientes inusitados (como cenários medievais ou faroeste). A estratégia demonstra a eficácia do uso de astros esportivos sem a dependência da aquisição de patrocínios institucionais do evento.
Como a Publicidade Beneficia a FIFA?
A venda de direitos comerciais é a engrenagem central que sustenta o modelo financeiro da entidade máxima do futebol. As receitas geradas durante o ciclo de quatro anos da Copa do Mundo financiam a operação da federação e o desenvolvimento do futebol em suas 211 associações membro.
Distribuição da Receita da FIFA no Ciclo da Copa do Mundo:
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Direitos de Transmissão (TV/Streaming) : ████████████████ (45%)
Direitos Comerciais e Patrocínios : █████████████ (30%)
Ingressos e Hospitalidade : ██████ (15%)
Licenciamento de Marca e Outros : ████ (10%)
O departamento comercial da FIFA empacota e comercializa:
- Direitos Comerciais e de Patrocínio: Marcas pagam somas bilionárias para associar seus nomes aos símbolos da entidade.
- Direitos de Transmissão TV/Digital: As redes de televisão compram o direito exclusivo de exibir as partidas e, em seguida, revendem as cotas publicitárias locais para anunciantes em seus respectivos países.
- Licenciamento de Produtos: Marcas pagam royalties para fabricar produtos com o selo oficial do evento (brinquedos, cadernos, roupas, copos e o famoso álbum de figurinhas).
Os Maiores Mitos Sobre Publicidade na Copa
A complexidade do mercado publicitário esportivo gera visões distorcidas sobre como funciona o investimento na competição.
Mito 1: Apenas patrocinadores oficiais podem fazer anúncios no período do torneio
Fato: Qualquer empresa pode veicular anúncios na televisão, no rádio ou na internet durante a Copa do Mundo. A única restrição legal é o uso indevido das marcas registradas da FIFA (como logotipos oficiais, a mascote, o troféu ou o nome oficial do torneio). As marcas não patrocinadoras usam a temática do futebol de forma genérica.
Mito 2: Toda empresa que anuncia na TV aparece nas placas do estádio
Fato: As placas de publicidade ao redor do gramado são reservadas exclusivamente para os Parceiros Globais, Patrocinadores Oficiais e Apoiadores Regionais da FIFA. A compra de comercial na emissora de TV aberta dá direito apenas ao espaço do intervalo comercial daquele canal específico.
Mito 3: O retorno sobre o investimento é 100% garantido para quem investe
Fato: O sucesso da campanha depende de estratégia, criatividade e execução. Marcas que investem somas expressivas, mas veiculam mensagens genéricas ou desalinhadas do público, correm o risco de ter um ROI negativo e serem esquecidas rapidamente.
Mito 4: Apenas multinacionais gigantes conseguem aproveitar o evento
Fato: Pequenas e médias empresas utilizam o clima de festa para criar ações locais de baixo custo. Promoções em comércios de bairro, decorações temáticas, pratos especiais em restaurantes e campanhas geolocalizadas em redes sociais permitem colher resultados práticos sem investimentos milionários.
Mito 5: Toda a publicidade relevante acontece na televisão aberta
Fato: O ambiente digital representa uma parcela cada vez maior dos orçamentos. Campanhas no TikTok, interações no X durante os lances polêmicos dos jogos e memes instantâneos geram altos índices de lembrança de marca com agilidade.
Curiosidades Sobre o Marketing da Copa do Mundo

Alcance de Audiência Multibilionário
A audiência acumulada de uma Copa do Mundo ultrapassa rotineiramente a marca de 5 bilhões de visualizações somando todas as plataformas. A final do torneio isoladamente atrai mais de 1,5 bilhão de espectadores simultâneos, superando em mais de dez vezes a audiência do Super Bowl norte-americano.
Cobertura Global e Presença em Centenas de Territórios
O sinal das partidas é gerado para mais de 200 países e territórios dependentes. Essa penetração geográfica universal significa que uma mensagem publicitária bem estruturada consegue impactar consumidores em praticamente todas as economias ativas do planeta de forma simultânea.
O Impacto da Era Digital na Publicidade Esportiva
A ascensão da banda larga móvel transformou o comportamento do torcedor. Hoje, o torcedor assiste à partida com o smartphone na mão. Isso criou a necessidade de campanhas de “dupla tela”: as marcas exibem o comercial principal na televisão e engajam o espectador simultaneamente no aplicativo com cupons de desconto, pesquisas interativas e sorteios ao vivo.
O Que os Bilhões Investidos em Publicidade Revelam Sobre a Copa do Mundo
A dimensão dos números movimentados pela publicidade durante a Copa do Mundo demonstra que o evento vai muito além da disputa esportiva. O torneio consolidou-se como o catalisador econômico mais potente do mercado global de entretenimento.
Ao reunir bilhões de pessoas sob uma mesma paixão temporária, a Copa cria um ambiente emocional de alta receptividade, onde marcas de diferentes portes e setores disputam a atenção do consumidor. A separação clara entre os direitos institucionais da FIFA e a compra de mídia independente evidencia um ecossistema maduro, no qual há espaço tanto para megaestruturas de patrocínio quanto para campanhas ágeis e regionais no ambiente digital.
Em última análise, os bilhões investidos pelas empresas confirmam uma premissa básica da economia e do marketing: a atenção humana é o ativo mais valioso do planeta. E nenhum outro evento na terra é capaz de capturar a atenção global com a intensidade, o alcance e o impacto da Copa do Mundo.





