Investimentos
7 investimentos para quem tem apenas R$ 100
Veja 7 opções de investimento para começar com R$ 100 e entenda os riscos, prazos e condições de cada uma
Começar a investir não exige grandes fortunas. A democratização do mercado financeiro e a evolução das plataformas de investimentos permitiram que qualquer pessoa desse os primeiros passos com quantias acessíveis. Ter R$ 100 disponível já é o suficiente para sair da poupança e construir o hábito do planejamento financeiro. A seguir, conheça 7 alternativas de investimentos, entendendo suas regras, liquidez, custos, riscos e utilidades práticas.
Tesouro Selic
O Tesouro Selic é um título público emitido pelo Governo Federal. Na prática, ao investir nele, você empresta dinheiro ao Estado em troca de uma rentabilidade atrelada à taxa básica de juros da economia (a Selic). Trata-se de uma das opções de menor risco de crédito do mercado nacional, pois é garantido pelo Tesouro Nacional.
Para aplicar R$ 100, basta criar uma conta em uma corretora ou instituição financeira integrada ao Tesouro Direto. O valor mínimo de aplicação varia de acordo com o preço da fração do título (correspondente a 1% do título), mas costuma ficar na faixa entre R$ 10 e R$ 150. Portanto, em quase todas as semanas, R$ 100 são perfeitamente suficientes para comprar uma fração de Tesouro Selic.
O investimento possui liquidez diária (com resgate em D+1 dia útil) e é indexado à taxa Selic com acréscimo de um pequeno ágio ou deságio. Sobre os rendimentos incide o Imposto de Renda regressivo (de 22,5% a 15%, conforme o tempo de permanência) e a taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o valor mantido acima de R$ 10.000. O Tesouro Selic é ideal para formar reserva de emergência e metas de curto prazo.
CDB com liquidez diária

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um título privado emitido por instituições financeiras para captar recursos. A rentabilidade costuma ser expressa como um percentual do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), taxa que anda muito próxima da Selic.
Para aplicar R$ 100, o investidor deve acessar o aplicativo do seu banco ou corretora e buscar títulos com liquidez imediata ou diária. O valor mínimo depende de cada instituição: há bancos digitais e corretoras que oferecem CDBs a partir de R$ 1, enquanto outros exigem R$ 100, R$ 500 ou mais. A disponibilidade com R$ 100 varia de acordo com a prateleira do distribuidor.
A liquidez diária permite solicitar o resgate em dias úteis com rápida disponibilidade dos recursos. Quanto à segurança, conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250.000 por CPF e por instituição financeira (com teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos). Os tributos aplicáveis são o IOF (para resgates com menos de 30 dias) e o IR regressivo sobre os lucros. É indicado para reserva de emergência e objetivos de curto prazo.
LCI ou LCA
As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) são títulos emitidos por bancos para financiar os setores imobiliário e do agronegócio. Sua principal atração para pessoas físicas é a isenção de Imposto de Renda sobre os ganhos.
Para investir R$ 100, é necessário verificar o catálogo da corretora ou banco. Nem sempre haverá títulos disponíveis exatamente por R$ 100, pois muitas instituições fixam o investimento mínimo em R$ 500, R$ 1.000 ou mais. No entanto, é possível encontrar ofertas pontuais com teto inicial menor.
As regras estipuladas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) definem prazos mínimos de carência (por exemplo, 6 meses para títulos pós-fixados), período no qual o dinheiro não pode ser resgatado de forma alguma. Assim como os CDBs, possuem a garantia do FGC até o limite regulamentar de R$ 250.000. Por não pagarem IR e possuírem carência inicial, são indicadas para quem não precisa do dinheiro imediatamente e busca prazos curtos ou médios.
Fundos de investimento
Fundos de investimento funcionam como um condomínio financeiro em que vários investidores somam seus recursos para que um gestor profissional aloque o patrimônio em uma carteira de ativos (que pode conter renda fixa, ações ou moedas).
Para investir R$ 100 em um fundo, o investidor deve acessar a plataforma de sua corretora, checar a aba de fundos e verificar o campo “Aplicação Inicial”. Existem fundos de renda fixa simples ou multimercados acessíveis a partir de R$ 10 ou R$ 100, mas vários outros exigem R$ 1.000 ou mais. A disponibilidade depende inteiramente da oferta da instituição.
A liquidez varia: fundos de renda fixa simples costumam ter resgate em D+0 ou D+1, enquanto fundos mais complexos podem levar semanas (D+30 ou mais) para liquidação. Os fundos cobram taxa de administração e, eventualmente, taxa de performance. Além disso, não contam com a proteção do FGC e sofrem tributação de IR (inclusive por meio do “come-cotas” semestral em maio e novembro). Podem ser adequados para quem busca diversificação delegada a um especialista.
ETFs de renda variável
Os ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos cujas cotas são negociadas na Bolsa de Valores (B3) e que buscam replicar o desempenho de um índice de referência, como o Ibovespa ou o S&P 500.
Para investir R$ 100, basta utilizar o home broker ou o aplicativo da sua corretora e buscar pelo código do ETF desejado (por exemplo, BOVA11 ou IVVB11). Como a compra é feita por cotas unitárias, o investimento mínimo é o valor atual de uma única cota. Dependendo da cotação do dia, existem ETFs cujas cotas custam menos de R$ 100, enquanto outros superam essa marca.
As vendas de cotas na Bolsa ocorrem no horário do pregão, com liquidação em D+2 dias úteis. Por se tratarem de renda variável, estão sujeitos à volatilidade do mercado, sem garantia de capital e sem FGC. Há cobrança de taxa de administração embutida no fundo e taxa de custódia da corretora (se houver). Sobre o lucro na alienação de ETFs de ações, incide IR à alíquota de 15% (sem a isenção de R$ 20 mil válida para ações). Faz sentido para a diversificação de renda variável com foco no longo prazo.
Ações fracionárias
Ao comprar ações na Bolsa de Valores, o mercado tradicional trabalha com lotes padrão de 100 papéis. Contudo, o mercado fracionário permite negociar frações (de 1 a 99 ações), bastando adicionar a letra “F” ao final do código da empresa (por exemplo, PETR4F ou VALE3F).
Para aplicar R$ 100, o investidor digita o código fracionário no aplicativo da corretora e seleciona a quantidade desejada até atingir o limite do valor que possui. Como algumas ações são negociadas por valores unitários entre R$ 5 e R$ 40, é plenamente possível adquirir unidades de grandes empresas com R$ 100.
A liquidez ocorre em D+2 dias úteis após a venda na Bolsa. O principal risco é a oscilação de preços e a possibilidade real de perdas financeiras em decorrência do desempenho da empresa ou do ambiente macroeconômico. Há cobrança de IR de 15% sobre os lucros em operações normais (com isenção para vendas totais de ações até R$ 20.000 no mês, observando a legislação). São recomendadas para formação de patrimônio de longo prazo em renda variável.
Fundos imobiliários (FIIs)
Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) captam recursos para aplicar no setor imobiliário, seja compondo carteiras de imóveis físicos (como galpões logísticos e shopping centers) ou papéis de dívida imobiliária (como CRIs).
Para investir R$ 100, o investidor acessa o ambiente de renda variável da sua corretora e adquire cotas de FIIs pelo seu ticker (por exemplo, MXRF11 ou HGLG11). Muitas cotas de FIIs de boa liquidez são negociadas na faixa de R$ 10 a R$ 100, permitindo comprar uma ou mais cotas com a quantia informada.
O resgate ocorre mediante a venda das cotas para outros investidores na B3 (com liquidação em D+2). Um dos atrativos dos FIIs é a distribuição periódica de rendimentos (aluguéis), que atualmente são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas na maior parte dos casos. Por outro lado, o valor das cotas varia diariamente no mercado e não há garantia de renda mínima ou de conservação do capital inicial. É um ativo voltado para diversificação e geração de renda passiva no longo prazo.
| Investimento | Perfil de Risco | Liquidez | Posso começar com R$ 100? | Principal Cuidado |
| Tesouro Selic | Baixo | Diária (D+1) | Sim (conforme fração do título) | Atenção aos impostos nos primeiros 30 dias (IOF) |
| CDB Liquidez Diária | Baixo | Diária | Depende da oferta do banco/corretora | Confirmar a liquidez e o percentual do CDI |
| LCI / LCA | Baixo | Após prazo de carência | Depende da aplicação mínima exigida | Respeitar o período de carência prévio |
| Fundos de Investimento | Baixo a Alto | Varia de D+0 a D+60+ | Depende das regras do fundo | Checar taxa de administração e “come-cotas” |
| ETFs de Renda Variável | Médio a Alto | D+2 (via B3) | Sim, se a cota for inferior a R$ 100 | Observar a volatilidade e taxas do fundo |
| Ações Fracionárias | Alto | D+2 (via B3) | Sim, comprando de 1 a 99 papéis | Acompanhar o risco da empresa e de mercado |
| Fundos Imobiliários | Médio a Alto | D+2 (via B3) | Sim, se o preço da cota for até R$ 100 | Entender que a cota oscila e o dividendo varia |
Orientações para escolher o investimento ideal
Iniciar os aportes com R$ 100 é um passo fundamental para criar consistência financeira. No entanto, esse montante inicial não trará ganhos financeiros expressivos no curto prazo, pois os rendimentos são proporcionais ao valor alocado. É crucial ter em mente a diferença entre rentabilidade percentual (a taxa de retorno, por exemplo, 10% ao ano) e o dinheiro efetivamente recebido (que, sobre R$ 100, representa R$ 10 em um ano).
A grande força da construção de patrimônio reside na combinação entre juros compostos e aportes mensais recorrentes. Ao investir R$ 100 no primeiro mês e continuar aportando R$ 100 todos os meses, o patrimônio se expande não apenas pela adição de novos recursos, mas pelo rendimento sobre rendimento ao longo dos anos. O resultado final dependerá sempre da taxa praticada, dos impostos, dos custos de corretagem ou administração e do prazo mantido.
Antes de assumir riscos no mercado de renda variável (como ações, FIIs e ETFs), monte uma reserva de emergência composta por ativos de baixa volatilidade e alta liquidez (como Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária). Compreender a distinção entre renda fixa (em que a lógica de remuneração é pactuada no momento da aplicação) e renda variável (onde a cotação oscila conforme a oferta e a demanda) impede que decisões precipitadas sejam tomadas. Por fim, nunca selecione um produto financeiro apenas por uma promessa de maior rentabilidade; avalie sempre o risco, a liquidez e os custos envolvidos.
Perguntas Frequentes

Dá para começar a investir com R$ 100?
Sim. Várias alternativas de renda fixa e renda variável aceitam aplicações iniciais a partir de R$ 100 ou até menos.
Qual investimento é mais indicado para iniciantes?
Aplicações de baixa volatilidade e alta liquidez, como o Tesouro Selic ou CDBs com liquidez diária, costumam ser as mais recomendadas para criar a reserva básica.
Quanto rendem R$ 100 investidos?
O valor depende do ativo escolhido, do prazo e das taxas vigentes. Em termos absolutos, o retorno inicial sobre R$ 100 é modesto e deve ser observado sob a ótica da rentabilidade percentual.
É melhor investir R$ 100 ou guardar esse dinheiro?
Investir costuma ser mais vantajoso do que deixar o dinheiro parado, pois protege o poder de compra contra a inflação e gera rendimentos com o tempo.
Posso perder dinheiro investindo R$ 100?
Em renda fixa pós-fixada mantida até o resgate, o risco de perda nominal é muito baixo. Já em ativos de renda variável (ações, FIIs e ETFs), o valor oscila e pode haver perdas.
Vale a pena investir R$ 100 todos os meses?
Vale a pena. A disciplina de aportes mensais aliada aos juros compostos é o motor responsável pela evolução contínua do patrimônio ao longo do tempo.





